{"id":110,"date":"2016-11-01T19:34:23","date_gmt":"2016-11-01T18:34:23","guid":{"rendered":"http:\/\/ervarebelde.noblogs.org\/?p=110"},"modified":"2017-06-25T14:25:19","modified_gmt":"2017-06-25T13:25:19","slug":"isto-nao-e-um-movimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ervarebelde.noblogs.org\/?p=110","title":{"rendered":"Isto n\u00e3o \u00e9 um movimento"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"western\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-111\" src=\"https:\/\/ervarebelde.noblogs.org\/files\/2016\/11\/isto-nao-e-movimento-03-300x185.jpg\" alt=\"isto-nao-e-movimento-03\" width=\"300\" height=\"185\" srcset=\"https:\/\/ervarebelde.noblogs.org\/files\/2016\/11\/isto-nao-e-movimento-03-300x185.jpg 300w, https:\/\/ervarebelde.noblogs.org\/files\/2016\/11\/isto-nao-e-movimento-03.jpg 609w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/h1>\n<blockquote><p><i>A nova estrutura estatal \u00e9 caracterizada pelo facto que a unidade pol\u00edtica do povo, e da\u00ed, o sistema geral da sua vida p\u00fablica, se reflecte em tr\u00eas s\u00e9ries que s\u00e3o de ordens distintas. As tr\u00eas s\u00e9ries n\u00e3o se situam \u00e0 partida no mesmo ponto, mas uma delas, isto \u00e9, o Movimento encarregue do Estado e do Povo, penetra e conduz as duas outras. <\/i><\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p><span style=\"font-size: small\">Carl Schmitt, <\/span><span style=\"font-size: small\"><i>\u00c9tat, Mouvement, Peuple <\/i><\/span><span style=\"font-size: small\">(1933)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 cerca de um m\u00eas, que no final de cada semana, se especula sobre o estado do \u201cmovimento contra a lei El Khomri\u201d &#8211; media, sindicalistas, militantes e esperan\u00e7osos de toda a esp\u00e9cie querem acreditar que \u00e9 desta: depois das manifesta\u00e7\u00f5es \u201chist\u00f3ricas\u201d de 31 de Mar\u00e7o que ter\u00e3o visto duplicar os efectivos dos desfiles de 9 de Mar\u00e7o e agora as assembleias de \u201cNuit Debout\u201d (<span style=\"color: #000000\">noite em p\u00e9<\/span>), o movimento tanto esperado, mas que nunca mais acabava de come\u00e7ar, nasceu finalmente. Talvez se persistimos tanto em p\u00f4r o nome de \u201cmovimento\u201d ao que se passa neste momento em Fran\u00e7a, \u00e9 porque se trata, na realidade, de algo totalmente diferente, algo de in\u00e9dito. Porque um \u201cmovimento\u201d, \u00e9 exactamente algo que em Fran\u00e7a sabem <i>gerir<\/i>, isto \u00e9, vencer. J\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o os tempos em que movimentos levavam a transtornos extensos, as organiza\u00e7\u00f5es, os governos, os media s\u00e3o mestres na arte de conjurar a amea\u00e7a que qualquer acontecimento de rua carrega consigo: que a situa\u00e7\u00e3o se torne ingovern\u00e1vel. N\u00e3o devemos nunca esquecer que o actual Primeiro Ministro n\u00e3o o \u00e9 em virtude da sua licenciatura em hist\u00f3ria obtida nos anos 1980 em Tolbiac, mas porque se formou enquanto sindicalista na UNEF<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a>. Na altura, era com Alain Bauer ou St\u00e9phane Fouks, um dos pesadelos do Colectivo Aut\u00f3nomo de Tolbiac (o CAT) e inversamente.<br \/>\nUm \u201cmovimento\u201d, para todo o pessoal de enquadramento a que se reduz esta sociedade, \u00e9 algo de reconfortante. Tem um objecto, reivindica\u00e7\u00f5es, um <i>quadro,<\/i> portanto com porta-vozes patenteados e poss\u00edveis negocia\u00e7\u00f5es. Assim, nesta base, nunca \u00e9 dif\u00edcil separar entre o \u201cmovimento\u201d e aqueles que \u201ctransbordam\u201d do quadro, de chamar \u00e0 ordem os seus elementos mais determinados, a sua frac\u00e7\u00e3o mais consequente. Ser\u00e3o qualificados oportunamente de \u201c<span style=\"color: #000000\">v\u00e2ndalos<\/span>\u201d, \u201caut\u00f3nomos\u201d, \u201cniilistas\u201d quando \u00e9 patente que aqueles que l\u00e1 est\u00e3o para impedir as din\u00e2micas, s\u00e3o precisamente os niilistas que s\u00f3 v\u00eaem no movimento uma oportunidade para os seus futuros postos ministeriais \u2013 todos os Valls, Dray e outros Julliards. Cortar um \u201cmovimento\u201d da sua frac\u00e7\u00e3o mais \u201cviolenta\u201d \u00e9 sempre uma forma de o enfraquecer, de o tornar inofensivo e finalmente mant\u00ea-lo sob controlo. Os movimentos s\u00e3o efectivamente <i>destinados a morrer, <\/i>mesmo vitoriosos. A luta contra o <i>Contrat Premi\u00e8re Embauche<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a><\/i> (Contrato Primeiro Emprego \u2013 CPE) serve de exemplo. Basta um recuo t\u00e1ctico do governo e o terreno desaba aos p\u00e9s dos que come\u00e7aram a marchar. Alguns artigos na imprensa e alguns JT (Jornais Televisivos) contra os \u201c<i>jusqu\u2019auboutistes<\/i>\u201d<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\"><sup>3<\/sup><\/a> bastam amplamente para retirar o que, ainda ontem, <i>podia tudo:<\/i> a legisla\u00e7\u00e3o social sobre a qual os mais audaciosos procedimentos se tinham apoiado. Uma vez estas pessoas isoladas, os procedimentos policiais e depois judiciais, mais ou menos imediatos, vinham oportunamente secar o mar do \u201cmovimento\u201d. <i>A forma-movimento \u00e9 um instrumento nas m\u00e3os dos que pretendem governar o social e mais nada<\/i>. O extremo nervosismo dos servi\u00e7os de ordem, em particular da CGT<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote4sym\" name=\"sdfootnote4anc\"><sup>4<\/sup><\/a>, da BAC<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote5sym\" name=\"sdfootnote5anc\"><sup>5<\/sup><\/a> e as b\u00f3fias durante as manifesta\u00e7\u00f5es das \u00faltimas semanas \u00e9 o sinal que trai a sua vontade desesperada de querer fazer entrar na forma-movimento o que se p\u00f4s em marcha e que lhes escapa totalmente.<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium\">Toda a gente concorda. A lei do Trabalho \u00e9 apenas \u201ca gota de \u00e1gua que faz transbordar o copo\u201d. <\/span><span style=\"font-size: medium\">O<\/span><span style=\"font-size: medium\"> que se exprime na rua, em palavras de ordem ou confrontos, \u00e9 \u201cestamos fartos\u201d, etc. <\/span><span style=\"font-size: medium\">O<\/span><span style=\"font-size: medium\"> que se passa \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o suportamos ser governados por essa gente, nem dessa maneira; e talvez at\u00e9, diante do falhan\u00e7o flagrante desta sociedade em todos os dom\u00ednios, j\u00e1 n\u00e3o suportamos ser governados de todo. Tornou-se epid\u00e9rmico e epid\u00e9mico, porque <\/span><span style=\"font-size: medium\">se <\/span><span style=\"font-size: medium\">trata cada vez mais claramente de uma quest\u00e3o de vida ou de morte. Estamos fartos da pol\u00edtica; cada manifesta\u00e7\u00e3o tornou-se <\/span><span style=\"font-size: medium\"><i>obscena<\/i><\/span><span style=\"font-size: medium\">, porque \u00e9 obsceno a forma de se agitar de maneira t\u00e3o impotente numa situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o extrema em todos os aspectos. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Dito isto, faltam-nos palavras para designar o que se desperta em Fran\u00e7a neste momento. Se n\u00e3o \u00e9 um \u201cmovimento\u201d, o que \u00e9 ent\u00e3o? Dir\u00edamos que se trata de um \u201cplanalto\u201d. Antes da palavra ser utilizada por Deleuze e Guattari para o t\u00edtulo do seu melhor livro <i>Mil planaltos<\/i>, a no\u00e7\u00e3o foi elaborada pelo antrop\u00f3logo e cibern\u00e9tico Gregory Bateson. Aos estudar nos anos 1930 o <i>ethos <\/i>balin\u00eas, \u00e9 surpreendido por esta singularidade: enquanto os Ocidentais, quer na guerra, quer no amor, gostam das intensidades exponenciais, as interac\u00e7\u00f5es cumulativas, as excita\u00e7\u00f5es crescentes que levam a um culminar \u2013 orgasmo ou guerra total \u2013 seguido de uma descarga de tens\u00e3o, social, sexual ou afectiva, os balineses, quer na m\u00fasica, no teatro, nas discuss\u00f5es, no amor ou no conflito fogem da corrida ao paroxismo; privilegiam os regimes de intensidades cont\u00ednuas, vari\u00e1veis, que duram, que se metamorfoseiam, que evoluem, em suma: que dev\u00eam<i><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote6sym\" name=\"sdfootnote6anc\"><sup>6<\/sup><\/a><\/i>. Bateson vincula isto a uma pr\u00e1tica singular das m\u00e3es balinesas: \u201c<i>a m\u00e3e inicia um namorico com a sua crian\u00e7a, brincando com o seu p\u00e9nis, ou estimulando-a de qualquer maneira para uma actividade de interac\u00e7\u00e3o<\/i><i>. <\/i><i>Portanto a crian\u00e7a fica excitada pelo jogo e durante uns instantes uma interac\u00e7\u00e3o cumulativa se produz. Mas, no momento em que a crian\u00e7a, aproximando-se de uma esp\u00e9cie de orgasmo, <\/i><i> <\/i><i>se agarra ao pesco\u00e7o da sua m\u00e3e, esta desvia-se. Neste ponto, a crian\u00e7a inicia, como alternativa, uma interac\u00e7\u00e3o cumulativa que se traduz numa birra. Doravante, a m\u00e3e desempenha o papel de espectadora que tira prazer da birra da crian\u00e7a: repele os seus ataques sem manifestar furor<\/i>\u201d (<i>Vers une \u00e9cologie de l\u2019esprit<\/i>). Assim a m\u00e3e balinesa ensina \u00e0 sua progenitura a fugir das intensidades parox\u00edsticas. A fase em que estamos a entrar politicamente em Fran\u00e7a neste momento, n\u00e3o \u00e9 \u2013 pelo menos at\u00e9 \u00e0s rid\u00edculas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, <i>de que n\u00e3o h\u00e1 tanta certeza que desta vez <\/i><i>nos <\/i><i>consigam impor &#8211; <\/i> uma fase org\u00e1smica de \u201cmovimento\u201d a que se segue a necess\u00e1ria debandada, mas uma fase de <i>planalto<\/i>:<\/p>\n<blockquote><p>\u00ab <i>u<\/i><i>ma regi\u00e3o cont\u00ednua de intensidades, vibrando nelas pr\u00f3prias, e que se desenvolve evitando qualquer orienta\u00e7\u00e3o num ponto culminante ou em direc\u00e7\u00e3o a um fim exterior.<\/i>\u201d<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote7sym\" name=\"sdfootnote7anc\"><sup>7<\/sup><\/a> (Deleuze-Guattari, <i>Mille plateaux<\/i>)<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"justify\">O n\u00edvel de descr\u00e9dito do aparelho governamental \u00e9 de tal ordem que doravante encontrara no seu caminho, a cada manifesta\u00e7\u00e3o, uma determina\u00e7\u00e3o constante, vinda de todos os lados, para abat\u00ea-lo.<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Liberation Serif,serif\"><span style=\"font-size: medium\">Portanto, n\u00e3o se trata da velha hist\u00f3ria trotskista da \u201cconverg\u00eancia das lutas\u201d \u2013 lutas que s\u00e3o actualmente t\u00e3o fracas que mesmo fazendo-as convergir n\u00e3o chegar\u00edamos a nada de s\u00e9rio, al\u00e9m de perder, na redu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica habitual, a riqueza pr\u00f3pria de cada uma delas \u2013, mas da actualiza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do descr\u00e9dito geral da pol\u00edtica em todas as ocasi\u00f5es, isto \u00e9 das liberdades cada vez mais ousadas que vamos conquistar ao aparelho governamental democr\u00e1tico. O que est\u00e1 em cima da mesa, n\u00e3o \u00e9 de todo uma unifica\u00e7\u00e3o do movimento, mesmo por meio de uma assembleia geral do g\u00e9nero humano, mas a passagem de limiares, desloca\u00e7\u00f5es, agenciamentos, metamorfoses, liga\u00e7\u00f5es entre pontos de intensidade pol\u00edtica distantes. \u00c9 evidente que a proximidade da ZAD<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote8sym\" name=\"sdfootnote8anc\"><sup>8<\/sup><\/a> tem efeitos sobre o \u201cmovimento\u201d em Nantes. Quando 3000 alunas (os) de liceu entoam \u201c<\/span><\/span><span style=\"font-family: Liberation Serif,serif\"><span style=\"font-size: medium\"><i>tout le monde d\u00e9teste la police<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Liberation Serif,serif\"><span style=\"font-size: medium\">\u201d (toda a gente detesta a policia), vaiam o servi\u00e7o de ordem da CGT, come\u00e7am a manifestar de cara tapada, n\u00e3o recuam diante das provoca\u00e7\u00f5es policiais e partilham soro fisiol\u00f3gico depois de terem apanhado com g\u00e1s lacrimog\u00e9neo, podemos dizer que, num m\u00eas de bloqueios, um certo n\u00famero de limiares foram passados, um certo n\u00famero de liberdades foram tomadas. O desafio n\u00e3o \u00e9 de canalizar o conjunto dos <\/span><\/span><span style=\"font-family: Liberation Serif,serif\"><span style=\"font-size: medium\">de<\/span><\/span><span style=\"font-family: Liberation Serif,serif\"><span style=\"font-size: medium\">vires, dos transtornos existenciais, dos encontros que fazem a textura do \u201cmovimento\u201d num \u00fanico rio poderoso e majestoso, mas de deixar viver a nova topologia deste planalto e de percorr\u00ea-lo. A fase de planalto em que entr\u00e1mos n\u00e3o procura nada de exterior a si mesma: \u201c \u00e9 uma caracter\u00edstica infeliz do esp\u00edrito ocidental, de reportar as express\u00f5es e as ac\u00e7\u00f5es a fins exteriores ou transcendentes, em vez de os estimar num plano de iman\u00eancia de acordo com o seu pr\u00f3prio valor.\u201d (Deleuze-Guattari, <\/span><\/span><span style=\"font-family: Liberation Serif,serif\"><span style=\"font-size: medium\"><i>Mille plateaux<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Liberation Serif,serif\"><span style=\"font-size: medium\">). O que importa \u00e9 o que j\u00e1 est\u00e1 a ser feito e o que cada vez mais n\u00e3o vai parar de ser feito: impedir passo a passo o governo de governar \u2013 e por \u201cgoverno\u201d, n\u00e3o se deve entender unicamente o regime pol\u00edtico, mas todo o aparelho tecnocrata p\u00fablico e privado de que os governantes nos oferecem uma express\u00e3o apalha\u00e7ada. N\u00e3o se trata portanto de saber se este \u201cmovimento\u201d vai ou n\u00e3o conseguir acabar com a \u201clei El Khomri\u201d, mas o que j\u00e1 est\u00e1 em curso: a destitui\u00e7\u00e3o daquilo que nos governa.\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/lundi.am\/CECI-N-EST-PAS-UN-MOUVEMENT\">https:\/\/lundi.am\/CECI-N-EST-PAS-UN-MOUVEMENT<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Ana da Palma<\/p>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p class=\"sdfootnote\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a> Union Nationale des \u00e9tudiants de France (Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes de Fran\u00e7a): https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Union_nationale_des_%C3%A9tudiants_de_France<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p class=\"sdfootnote\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a>https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Contrat_premi%C3%A8re_embauche<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote3\">\n<p class=\"sdfootnote\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\">3<\/a>Neologismo de \u201c<i>jusqu&#8217;au bout<\/i>\u201d significando: at\u00e9 ao fim. Neste caso remete para \u201caqueles que v\u00e3o at\u00e9 ao fim\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote4\">\n<p class=\"sdfootnote\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote4anc\" name=\"sdfootnote4sym\">4<\/a>Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho: https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Conf%C3%A9d%C3%A9ration_g%C3%A9n%C3%A9rale_du_travail<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote5\">\n<p class=\"sdfootnote\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote5anc\" name=\"sdfootnote5sym\">5<\/a>Brigada anticomando: https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Brigade_anticommando<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote6\">\n<p class=\"sdfootnote\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote6anc\" name=\"sdfootnote6sym\">6<\/a>Em franc\u00eas: \u201cdeviennent\u201d por refer\u00eancia ao conceito deleuziano &amp; guattariano (<i>Anti-\u00c9dipo<\/i>) \u201cdevenir\u201d: devir. Devir \u00e9 o conte\u00fado pr\u00f3prio do desejo (m\u00e1quinas desejantes ou agenciamentos). Torna-se um conceito espec\u00edfico em <i>Kafka. Pour une litt\u00e9rature mineure<\/i>.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote7\">\n<p class=\"sdfootnote\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote7anc\" name=\"sdfootnote7sym\">7<\/a>Deleuze &amp; Guattari (1980, p.32). <i>Mille plateaux<\/i>. Paris: Les \u00e9ditions de minuit.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote8\">\n<p class=\"sdfootnote\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote8anc\" name=\"sdfootnote8sym\">8<\/a>ZAD: Zone \u00e0 Defendre (Zona a defender): https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Zone_%C3%A0_d%C3%A9fendre<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nova estrutura estatal \u00e9 caracterizada pelo facto que a unidade pol\u00edtica do povo, e da\u00ed, o sistema geral da sua vida p\u00fablica, se reflecte em tr\u00eas s\u00e9ries que s\u00e3o de ordens distintas. 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